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Qua, 15 de Fevereiro de 2012 14:21 | Escrito por Maria Luiza | PDF Imprimir E-mail

A MISERICÓRDIA

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O que é que, na minha vida, necessita de ser transformado? O que é que ainda me mantém alienado, prisioneiro e escravo? O que é que me impede de imprimir à minha vida um novo dinamismo, de forma a que o Homem Novo se manifeste em mim?

Neste 7º Domingo do tempo comum Paulo nos recorda o exemplo de Cristo e a coerência da sua vida. Cristo não moldou a sua vida de acordo com os seus interesses pessoais, os gostos das multidões, as indicações dos líderes ou as exigências da moda da época; nunca se preocupou em resguardar-se, em não escandalizar, em não perder adeptos, mas preocupou-se apenas com oferecer aos homens a verdade. Fiel ao projeto de salvação que o Pai lhe confiou, foi frontal, coerente, sincero, verdadeiro. Ele morreu porque nos seus olhos brilhava a verdade. Paulo recorda-nos, também, que ser cristão é seguir a Cristo e percorrer, com Ele, esse caminho de coerência e de sinceridade.

• Nos nossos dias, no entanto, estes valores não são demasiado apreciados. Certas figuras públicas que ditam a moda e moldam a opinião pública defendem que aquilo que hoje é verdade, amanhã é mentira; e cria-se certa cultura de oportunismo, de incoerência e de mentira. Qual o nosso papel de cristãos – de seguidores de Jesus – neste mundo?

• Nós crentes afirmamos repetidamente – nas nossas celebrações, nas nossas orações e cânticos – o nosso “sim” a Deus e ao seguimento de Jesus… A nossa vida de todos, os nossos valores e atitudes, os nossos gestos e palavras são coerentes com esses “sins”?

• Para Paulo, a coerência e a sinceridade são valores absolutamente imprescindíveis para todo aquele que se dedica ao ministério apostólico. Se um animador da comunidade não leva uma vida coerente, sincera, sem mentira, está a desautorizar e a causar danos irreparáveis à proposta que anuncia.
Em Jesus, Deus manifestou a sua bondade e o seu amor pelo homem pobre e desvalido e inaugurou já o processo de plena libertação para a humanidade inteira.
Para isso, Ele está sempre disposto, de forma totalmente gratuita e incondicional, a oferecer o perdão que purifica, que liberta e que coloca o homem numa órbita de vida nova

Qual deve ser a nossa resposta à proposta que Deus nos faz através de Jesus? O Evangelho deste domingo fala, a propósito, da “fé” – isto é, de uma decisão consciente e indomável de adesão a Jesus e à sua proposta do “Reino”. Deus oferece-nos o seu amor – amor que nos integra na família de Deus, que nos liberta do egoísmo e do pecado e que introduz em nós mecanismos de vida eterna; mas nós temos de ultrapassar o imobilismo que tolhe os dinamismos de vida nova, o comodismo que nos impede de acolher os desafios de Deus, a auto-suficiência que não nos deixa estar disponíveis para Deus… Temos de nos colocar numa atitude de sincera abertura ao dom de Deus.

Se muitos dos nossos irmãos continuam afundados no sofrimento e numa dor sem esperança, é porque nós não somos, verdadeiramente, sinais da ternura e da bondade de Deus; se muitos dos nossos irmãos são vítimas de sistemas de exclusão e de marginalização, é porque nós não conseguimos testemunhar os valores do “Reino”… Não teremos, às vezes, encerrado Jesus numa “casa” onde nem todos os homens têm acesso? Não teremos, às vezes, “domesticado” Jesus, impedindo que a sua proposta se torne verdadeiramente questionadora e libertadora? A forma cômoda, instalada, medíocre, como vivemos e testemunhamos a nossa fé não será impeditiva para que a proposta de Jesus transforme o mundo? Não estaremos a contribuir, com os nossos preconceitos, os nossos esquemas legalistas, os nossos juízos apressados, para que muitos dos nossos irmãos possam encontrar Jesus e experimentar a alegria da libertação que Ele veio oferecer?

 

 

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Paróquia Nossa Senhora do Carmo.